Grazie Flavio Galvan al testo in italiano * Remercier Susana Metello le texte français



terça-feira, 18 de maio de 2010

Foi Deus

Alberto Janes

*

Não sei,

Não sabe ninguém
Porque canto o fado

Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento,

Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma

Cá dentro se acalma
Nos versos que canto

*
Foi Deus,

Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas

Deu o oiro ao Sol

E prata ao luar
Foi Deus

Que me pôs no peito
Um rosário de penas

Que vou desfiando

E choro a cantar

*
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu luto as andorinhas
E deu-me esta voz a mim
*
Se canto,

Não sei o que canto
Misto de ventura

Saudade, ternura e talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando,

Se tem um desgosto
E o pranto no rosto

Nos deixa melhor

*
Foi Deus,

Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar
Foi Deus

Que me pôs no peito
Um rosário de penas

Que vou desfiando

E choro a cantar

*
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à Primavera
E deu-me esta voz a mim

Foi ontem

Júlio de Sousa

*

Foi ontem que lembrei o meu passado

E o fantasma remorso deu-me um beijo

Só ontem percebi tudo acabado

À luz crua da vida em que me vejo

*

Um filho desse amor, amor pecado

No meu pecado vivo se tornou

E chora e fica triste

Sempre que canto este meu fado

Um fado de um amor, que o amor matou

*

Foi ontem como hoje

E sempre, sempre, o que há-de vir

Oh Deus dá-me sossego p’ra dormir

*

Foi ontem que fechei os olhos teus

Mas novamente veio a Primavera

E eu que julgava ter fechado os meus

Outro ninho teci com folhas de hera

*

Foi ontem que fugiu, outra o levou

Porque será que tudo me castiga

Porque será que eu canto

Esta toada, esta cantiga

Que a experiência da vida me ensinou

*

Foi ontem como hoje

E sempre, sempre, o que há-de vir

Oh Deus olha por mim, quero dormir

Fui ao mar buscar sardinhas

Amália Rodrigues

Carlos Gonçalves

*

Fui ao mar buscar sardinhas

Para dar ao meu amor

Perdi-me nas janelinhas

Que espreitavam do vapor

*

A espreitar lá do vapor

Vi a cara de um francês

E seja lá como for

Eu vou ao mar outra vez

*

Eu fui ao mar outra vez

Ia o vapor de abalada

Já lá não vi o francês

Vim de lá toda molhada

*

Saltou de mim toda a esperança

Saltou do mar a sardinha

Salta a pulga da balança

Não faz mal, não era minha

*

Vou ao mar buscar sardinha

Já me esqueci do francês

A ideia não é minha

Nem minha nem de vocês

*

Coisas que eu tenho na ideia

Depois de ter ido ao mar

Será que me entrou areia

Onde não devia entrar

*

Pode não fazer sentido

Pode o verso não caber

Mas o que eu tenho rido

Nem vocês queiram saber

*

Não é para adivinhar

Que eu não gosto de adivinhas

Já sabem que eu fui ao mar

E fui lá buscar sardinhas

*

Sardinha que anda no mar

Deve andar consoladinha

Tem água sabe nadar

Quem me dera ser sardinha

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Gondarém

Pedro Homem de Mello

Alain Oulman

*

Vim morrer a Gondarém

Pátria de contrabandistas

A farda dos bandoleiros

Não consinto que ma vistas

*

Numa banda a Espanha morta

Noutra Portugal sombrio

Entre ambos galopa um rio

Que não pára à minha porta

E grito, grito: Acudi-me

Ganhei dor, busquei prazer

E sinto que vou morrer

Na própria pátria do crime

*

Vim morrer a Gondarém

Pátria de contrabandistas

A farda dos bandoleiros

Não consinto que ma vistas

*

Por mor de aprender o vira

Fui traído, mas por fim

Sei hoje que era mentira

Que então chamava por mim

Nada haverá que me acoite

Meu amor, meu inimigo

E aceito das mãos da noite

A memória do castigo

*

Vim morrer a Gondarém

Pátria de contrabandistas

A farda dos bandoleiros

Não consinto que ma vistas

Gostava de ser quem era

Amália Rodrigues

Carlos Gonçalves

*

Tinha alegria nos olhos

Tinha sorrisos na boca

Tinha uma saia de folhos

Tinha uma cabeça louca

*

Tinha uma louca esperança

Tinha fé no meu destino

Tinha sonhos de criança

Tinha um mundo pequenino

*

Tinha toda a minha rua

Tinha as outras raparigas

Tinha estrelas, tinha a Lua

Tinha rodas de cantigas

*

Gostava de ser quem era

Pois quando eu era menina

Tinha toda a Primavera

Só numa flor pequenina

domingo, 16 de maio de 2010

Grândola

José Afonso

*

Grândola vila morena

Terra da fraternidade

O povo é quem mais ordena

Dentro de ti, ó cidade

*

Dentro de ti ó cidade

O povo é quem mais ordena

Terra da fraternidade

Grândola vila morena

*

Em cada esquina um amigo

Em cada rosto igualdade

Grândola vila morena

Terra da fraternidade

*

Terra da fraternidade

Grândola vila morena

Em cada rosto igualdade

O povo é quem mais ordena

*

À sombra de uma azinheira

Que já não sabia a idade

Jurei ter por companheira

Grândola a tua vontade

*

Grândola a tua vontade

Jurei ter por companheira

À sombra de uma azinheira

Que já não sabia a idade

Guitarra triste

Álvaro Duarte Simões

*

Ninguém consegue

Por muito forte que seja

Alcançar o que deseja

Seja qual for a ambição

Se não tiver

Dando forma ao seu valor

Uma promessa de amor

Que alimente uma ilusão

*

Uma mulher

É como uma guitarra

Não é qualquer

Que abraça e faz vibrar

Mas quem souber

A forma como a agarra

Prende-lhe a alma

Nas mãos que a sabem tocar

*

Por tal razão

Se engana facilmente

Um coração

Que queria ser feliz

Guitarra triste

Que busca um confidente

Nas mãos de quem não sente

O pranto que ela diz

*

Não há ninguém

Que não peça à própria vida

A felicidade merecida

Por quem um dia nasceu

E de tal forma

A vida sabe mentir

Que a gente chega a sentir

O bem que ela não nos deus

*

Uma mulher

É como uma guitarra…

Half as Much

If you loved me half as much as I love you

You wouldnt worry me half as much as you do

Youre nice to me when theres no one else around

You only build me up to bring me down

*

If you missed me half as much as you do

You wouldnt stay away half as much as you do

I know that I would never be this blue

If you only loved me half as much as I love you

*

If you loved me half as much as I love you

You wouldnt worri me half as much as you do

Youre nice to me when theres no one else around

You only build me up to bring me down

*

If you missed me half as much as I miss you

You wouldnt stay away half as much as you do

I know that I would never be this blue

If you only loved me half as much

If you only loved me half as much

If you only loved me hal as much

Havemos de ir a Viana

Pedro Homem de Mello

Alain Oulman

*

Entre sombras misteriosas

Em rompendo ao longe estrelas

Trocaremos nossas rosas

Para depois esquecê-las

*

Se o meu sangue não me engana

Como engana a fantasia

Havemos de ir a Viana

Ó meu amor de algum dia

Ó meu amor de algum dia

Havemos de ir a Viana

Se o meu sangue não me engana

Havemos de ir a Viana

*

Partamos de flor ao peito

Que o amor é como o vento

Quem pára perde-lhe o jeito

E morre a todo o momento

*

Se o meu sangue não me engana

Como engana a fantasia

Havemos de ir a Viana

Ó meu amor de algum dia

Ó meu amor de algum dia

Havemos de ir a Viana

Se o meu sangue não me engana

Havemos de ir a Viana

*

Ciganos, verdes ciganos

Deixai-me com esta crença

Os pecados têm vinte anos

Os remorsos têm oitenta

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Hortelã mourisca


José Vicente de Oliveira

Arlindo de Carvalho

*

Vem o Sol de Agosto

Vou dormir no prado

Tudo lá é posto

Sem ferro de arado

*

A cama está feita

De hortelã mourisca

E a macela espreita

Com graça de arisca

*

Hortelã mourisca

Por entre a marcela

Vem lavar teu rosto

No orvalho dela

Hortelã mourisca

Pela madrugada

Beijarei teus olhos

Rosa perfumada

*

Sobe um mar de estrelas

De flor de marcela

Não tenho fronteiras

Não tenho janela

*

Tenho a minha amada

Cotovia arisca

Toda perfumada

De hortelã mourisca

*

Hortelã mourisca

Por entre a marcela…

I can't begin to tell you


I can't begin to tell you
How much you mean to me
My world would end
If ever we were through
*
I can't begin to tell you
How happy i would be
If i could speak my mind
Like others do
*
I make such pretty speeches
Whenever we're apart
But when you're near
The words i choose
Refuse to leave my heart
*
So take the sweetest phrases
The world has ever known
And make believe
I've said them all to you
*
I make such pretty speeches
Whenever we're apart
But when you're near
The words i choose
*
So take the sweetest phrases
The world has ever known
And make believe
I've said them all to you

domingo, 2 de maio de 2010

Ironia


Armando Neves

Alfredo Duarte

*

Na vida de uma mulher

Por muito séria que a tomem

Há sempre um homem qualquer

Trocado por qualquer homem

*

Um homem com dor sentida

Ou com sentido prazer

Deixa pedaços de vida

Na vida duma mulher

*

E por mais amor profundo

Por mais juras que se somem

Há sempre um homem no mundo

Trocado por qualquer homem

*

Tanto vale a mulher bela

Como a mais feia mulher

Perdido de amor por ela

Há sempre um homem qualquer