Grazie Flavio Galvan al testo in italiano * Remercier Susana Metello le texte français



sexta-feira, 30 de março de 2012

As rosas do meu caminho

Autor: Alberto Janes

*

Quem julga que são rosas

as pedras do meu caminho

Não sabe que encontrei

sempre nas rosas que me deram

Perfumes que ao fugir,

me deixaram espinhos

Dos olhos me caiu

o sangue que fizeram

*

Porque o perfume

é passageiro, é fugaz

Como o lume que nos faz

mais frio na cinza arrefecida

E os espinhos

numa ferida que magoa

A alma de uma pessoa

duram tanto como a vida

*

Quisera como dantes
saber rir em gargalhadas

Tão ricas que no ar

ganhassem formas esculpidas

Porém no sol da vida

há nuvens que paradas

Enchem de sombras negras

a luz de certas vidas

*

E quando canto

todos vêem com certeza

Na minha vida a beleza

dum sonho que quer vingar

Mas ninguém pode

dar vida a um sonho belo

É construir um castelo

que é todo feito no ar

Asa de vento

Amália Rodrigues / Carlos Gonçalves

Sou charneca sou monte
Brisa a correr ligeira
Sou água fresca
A correr na fonte
Sou rosada
Roseira

Sou o cheiro das flores
Fé do meu pensamento
Filha d'amores
Irmã das dores
Sou mãe
Do sofrimento

Tenho no peito
Um pássaro encarnado
Que anda sem jeito
A mim amarrado
Sou charneca sou monte
Sou noite enluarada
Flor de alecrim
Ramo de jasmim
Sou papoila
Encarnada

Sou flor de Primavera
Sou sonho de Verão
Planície aberta
Praia deserta
Que espera
A tua mão

Coração fruto
Que é maduro e verde
Meu choro enxuto
Dor que se não perde

Sou charneca sou monte
Sou manhã perfumada
Planície aberta
Praia deserta
Sou ilha
Abandonada

Sou charneca sou monte
Verde fruta colhida
Erva cidreira
Mansa Oliveira
Sou lágrima
Perdida

Asa de vento
Inimiga da sorte
Roseira brava
Não há quem me corte

Assim nasceu este fado

António de Sousa Freitas / Joaquim Campos

Ao ver teu olhos doirados
E esse jeito de pureza
Numa hora sem cuidados
Nasceu comigo a tristeza

E foi então que senti
Na minh'alma outra dor
Ai, talvez porque te vi
Nasceu comigo o amor

Partiste e sou sofrimento
Sou loucura e ansiedade
Mais triste nesse momento
Nasceu comigo a saudade

Meu sonho ardeu num instante
Teus olhos foram meu lume
Naquela hora distante
Nasceu comigo o ciúme

Tornou-se mais frio o dia
Mais estranho e magoado
E à noite que era sombria
Nasceu comigo este fado

Aves agoirentas

Autores: David Mourão-Ferreira / Alain Oulman

*

Andam aves agoirentas

Quase a rasarem o chão

Nunca dizendo que sim

Dizendo sempre que não

*

Mas não tenho mão em mim

Que importa a voz da razão

E vou sempre ter contigo

Embora que digam que não

*

Os presságios do destino

Ao pé de ti, nada são

Rendição sem condições

Eis a minha rendição

*

Mais febris e mais violentas

São as horas da paixão

Quanto maiores as tormentas

Que andarem no coração

*

Nos teus olhos, há clarões

Da luz que os desejos dão

E das aves agoirentas

Ficam penas pelo chão

quinta-feira, 29 de março de 2012

Bailarico saloio

Popular
*
Ainda agora aqui cheguei
Já me mandaram cantar
O i o ai, já me mandaram cantar
Sou criado a lhe servir
Não me posso demorar
O i o ai, não me posso demorar
*
O bailarico saloio
Não tem nada que saber
O i o ai, não tem nada que saber
É andar com um pé no ar
Outro no chão a bater
O i o ai, outro no chão a bater
*
Anda lá para adiante
Que eu atrás de ti não vou
O i o ai, que eu atrás de ti não vou
Não me pede ao coração
Amar a quem me deixou
O i o ai, amar a quem me deixou
*
Ó sua descaradora
Tira a roupa da janela
O i o ai, tira a roupa da janela
Que essa camisa sem dono
Lembra a madona sem ela
O i o ai, lembra a madona sem ela

Bailaricos

O bailarico saloio
Não tem nada que saber
É andar com um pé no ar
Outro no chão a bater

Milho grosso, milho grosso
Milho grosso, folha larga
À sombra do milho grosso
Namorei a minha amada

Teus olhos são passarinhos
Que 'inda não sabem voar
Cuidado que andam aos ninhos
Os rapazes do lugar

Chamaste-me preta, preta
Que eu sou preta, bem o sei
Também a azeitona é preta
E vai à mesa do rei

A barra da minha saia
Foi você que m'a queimou
Com a ponta do cigarro
Quando comigo dançou

Bailinho da Madeira

Autor: Maximiliano de Sousa (Max)

Eu venho de lá tão longe
Venho sempre à beira mar
Trago aqui estas covinhas
P'r'amanhá o seu jantar

Deixa passar
Esta linda brincadeira
Que a gente vamos bailar
P'ra gentinha da Madeira

A Madeira é um jardim
No mundo não há igual
Seu encanto não tem fim
É filha de Portugal

Balada do sino

Autor: José Afonso
*
Uma barquinha
Lá vem lá vem
Dim Dem
Na barquinha de Belém
*
Senhor Barqueiro
Quem leva aí
Dão Dim
Na barquinha d'Aladim
*
Levo a cativa
Duma só vez
Dois, três
Na barquinha do Marquês
*
Ao romper d'alva
Casada vem
Dim Dem
Na barquinha é que vai bem
*
Se a tem guardada
Deixe-a fugir
Dão Dim
Na barquinha do Vizir
*
Lá vai roubada
Lá vai na mão
Dim Dão
Na barquinha do ladrão

Barco negro

Autores:
Caco Velho - Piratini - David Mourão Ferreira

De manhã que medo,
Que me achasses feia
Acordei tremendo
Deitada na areia

Mas logo os teus olhos
Disseram que não
E o sol penetrou
No meu coração

Vi depois,
Numa rocha uma cruz
E o teu barco negro,
Dançava na luz
Vi teu braço acenando
Entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia
Que não voltas

São loucas... São loucas!

Eu sei meu amor
Que nem chegaste a partir
Pois tudo em meu redor
Me diz que estás sempre comigo

No vento que lança
Areia nos vidros
Na água que canta
No fogo mortiço
No calor do leito
Nos bancos vazios
Dentro do meu peito
Estás sempre comigo

Caminhos de Deus

Letra: António Sousa Freitas
Música: Joaquim Campos

Quis dar-me Deus um fado
Um rumo e uma estrada
Caminhos, eu sei lá
Aqueles que me deu
Quis dar-me Deus esperança
E em tudo fui errada
Talvez porque troquei
Os seus fados p´lo meu

De tudo o que ficou
Ainda resta acesa
A chama da saudade
Estrela já no fim
E nada vale a pena
Basta-me esta certeza
Daquele caminho errado
Traçado para mim

De tantas ilusões
Perdidas uma a uma
Surgiu da noite agreste
Um luto que me amarra
Ficaram-me as esperanças
E Deus que mas resuma
Na triste voz do fado
E cordas de guitarra

quarta-feira, 28 de março de 2012

Cá vai Lisboa

Autores:
Raul Dubini / Armando Quatorze

Cabeça de vento

Autores:
Linhares Barbosa / Armando Machado

Lisboa se amas o Tejo,
Como não amas ninguém,
Perdoa num longo beijo
Os caprichos que ele tem

Faço o mesmo ao meu amor,
Quando aparece zangado,
Para acalmar-lhe o furor,
Num beijo, canto-lhe o fado

E vejo todo o bem que ele me quer
Precisas de aprender a ser mulher!

Tu também és rapariga,
Tu também és cantadeira,
Vale mais uma cantiga,
Cantada à tua maneira,

Que andarem os dois à uma,
Nesse quebrar de cabeça
Que lindo enxoval de espuma,
Ele traz quando regressa

À noite, é de prata o seu lençol,
De dia, veste um pijama de sol!

Violento, mas fiel,
Sempre a rojar-se a teus pés,
Meu amor é como ele,
Tem más e boas marés

Minha cabeça de vento,
Deixa lá ser ciumento

Cabecinha no ombro

Autor: Paulo Borges

Encosta a sua cabecinha no meu ombro e chora...
E conta logo suas mágoas todas para mim

Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora,
Que não vai embora,
Que não vai embora

Quem chora no meu ombro eu juro que não vai embora,
Que não vai embora,
Porque gosta de mim...

Amor, eu quero o seu carinho, porquê, eu vivo tão sozinho
Não sei se a saudade fica ou se ela vai embora,
Se ela vai embora,
Se ela vai embora...
Não sei se a saudade fica ou se ela vai embora,
Se ela vai embora,
Se ela vai embora...

Cais de outrora

Autores: Luís Macedo / Alain Oulman

Nos cais de outrora
Há navios vazios...
E há velas esquecidas
Do alto mar!
São sombrios os rios
Do recordar!

Nos cais de outrora
Há só barcos cansados...
E há remos esquecidos
Por não partir
Sinto cansaço vago
De me fingir!

Não há barcos, nem velas,
Já não há remos...
Em frente ao mar d´outrora
Perdi meu cais!
Em noite nos perdemos,
E nada mais!

Caldeirada (Poluição)

Autor: Alberto Janes
*
Em vésperas de caldeirada,
O outro dia,
Já que o peixe estava todo reunido,
Teve o goraz aideia
De falar àassembleia,
No que foi muito aplaudido
*
Camaradas principia:
A ordem do dia
É tudo aquilo que for poluição,
Porque o homem,
Que é um tipo cabeçudo,
Resolveu destruir tudo, pois então!
*
E com tal habilidade e intensidade
Nas fulgurânçias do génio,
Que transforma a água pura
Numa espécie de mistura,
Que nem tem oxigénio
*
E diz ele que é o rei da criação!
As coisas que a gente lhe ouve e tem que ser!
Mas a minha opinião, diz o pargo capatão,
Gostava de lha dizer!
*
Pois se a gente até se afoga! Grita a boga,
Por o homem ter estragado o ambiente!
Dá cabo da criação, esse pimpão,
E isso não é decente!
*
Diz do seu lugar: tá mal.. o carapau,
Porque por estes caminhos,
Certo vamos mais ou menos
Ficando todos pequenos,
Assim como “jaquinzinhos”
*
Diz então o camarão, a certa altura:
Mas o que é que nós ganhamos por falar?
Ó seu grande camarão, pergunta então o cação,
Você nem quer refilar?
*
Se quer morrer, diz a lula toda fula,
Com a mania da cerveja e dos cafézes,
Morra lá à sua vontade, que assim seja,
Para agradar aos fregueses!
*
Diz nessa altura a sardinha p'rá taínha:
Sabe a última do dia?
A pescadinha, já louca,
Meteu o rabo na boca,
O que é uma porcaria!
*
Peço a palavra, gritou o caranguejo,
Eu que tenho por mania observar,
Tenho estudado a questão
E vejo a poluição
Dia e noite a aumentar
*
Cai do céu a água pura e a criatura
Pensa que aquilo que é dele, é monopólio.
Vai a gente beber dela e a goela
Fica cheia de petróleo!
*
A terra e o mar são para o cidadão
Assim como o seu palácio
Se um dia lhe deito o dente
Paga tudo de repente
Ou eu não seja crustáceo!
*
É um tipo irresponsável, grita o sável,
O homem que tal aquele!
Vai a proposta prá mesa:
Ou respeita a natureza,
Ou vamos todos a ele!

Calunga

Autor:
Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba)

De São Paulo de Luanda
Me trouxeram para cá
É é é calunga, calunga
Me trouxeram para cá

Minha mãe chorava
Calunga, é é, é é
E eu cantava
Calunga, é é, é é
Maracatu,
Maracatu
É é á, calunga

Campinos do Ribatejo

Autor: João Nobre

Vão um dia a Vila Franca,
É meu conselho, vejam da ponte
Um por-de-sol tão vermelho
Ao longe no horizonte
Porque é esse o seu destino,
Firme o campino, o gado conduz
E então é que a gente vê
Como é belo até visto no contra-luz
*
Campinos do Ribatejo,
Gente feliz, gente sã!
Nem sabem como os invejo
Ao vê-los pela manhã
Quem vem assim confiado
Junto do gado é que está crente
Que esses bravos animais
São mais leais que muita gente
*
Visto de longe o campino,
Tem tal nobreza a sua figura,
Que há nele a mesma grandeza
Que existe numa escultura
Tem na mão firme o pampilho,
Se algum novilho se tresmalhou
É varonil quando passa,
É a própria raça, que alguém modelou

Can t help lovin dat man mine

Letra: Oscar Hammerstein II
Música: Jerome Kern
*
Oh listen sister,
I love my mister man,
And I can't tell you' why
Dere ain't no reason
Why Ishould love dat man,
It mus' be sumpin dat de angels done plan.
*
Fish got to swim, birds got to fly,
I got to love one man till I die.
Can't help lovin' dat man of mine.
Tell me he's lazy, tell me he's slow,
Tell me I'm crazy, (maybe I know).
Can't help lovin' dat man of mine.
*
When he goes away,
Dat's a rainy day,
And when he comes back dat day is fine,
De sun will shine!
He kin come home as late as can be,
Home without him ain't no home to me,
Can't help lovin' dat man of mine.

Cana verde do mar

Popular

Caninha verde
Ó minha verde caninha
Ó minha caninha verde
Ó minha verde caninha

Anda e não anda
Ai minha verde caninha
Salpicadinha de amores
De amores salpicadinha
Ó cana verde
De amores salpicadinha

Verde no mar
Anda à volta do vapor
A cana verde no mar
Anda à volta do vapor

Anda e não anda
Anda à volta do vapor
'inda está para nascer
Quem há-de ser meu amor
Ai cana verde
Quem há-de ser meu amor

Caninha verde
À porta do escondidinho
Ó minha caninha verde
À porta do escondidinho

Anda e não anda
À porta do escondidinho
Uma rola que a viu
E não le quis fazer o ninho
Ó cana verde
Não le quis fazer o ninho

Colher cerejas
Para andar de cano em cano
Ó cana, ó verde cana
Para andar de cano em cano

Anda e não anda
Para andar de cano em cano
Eu hei-de ir à tua porta
Fazer sombra todo o ano
Ai cana verde
Fazer sombra todo o ano

domingo, 18 de março de 2012

Cantiga da boa gente

Autor: Jorge Brum do Canto
*
Três palmos de terra, com uma casa à beira,
E o Manel mais eu para a vida inteira
Ele e quatro filhos, são tudo o que eu gosto,
Gente mais feliz, não há neste mundo, aposto
*
Vamos p'ra o trabalho, logo ao clarear,
E de sol a sol, vá de moirejar,
Tenho a vida cheia, tenho a vida boa,
Que Deus sempre ajuda a quem é boa pessoa
*
Quando chega a tarde, tarde tardezinha,
Já o jantar fumega na lareira da cozinha
Os filhossorriem, o Manel também,
Não há melhor vida que aquela que a gente tem
*
Os sinos ao longe dão Avé-Marias,
Reza-se a oração de todos os dias
Menino Jesus, meu botão de rosa,
Faz que a minha gente, não seja má nem vaidosa
Menino Jesus, boquinha de riso,
Faz que a minha gente, seja gente de juízo
*
Acabada a reza, vai-se pra o jantar,
Se alguém bate à porta, também tem lugar,
Come do que há, tarde tardezinha,
Mesmo ali à beira, da lareira da cozinha
Os filhos sorriem, o Manel também,
Não há melhor vida, que aquela que a gente tem
*
Não invejo nada, nem quem tem dinheiro,
Pois p'ra trabalhar tem-se o mundo inteiro
Basta só fazer o que se é capaz
E a felicidade está naquilo que se faz
*
E assim vou andando, com a graça de Deus,
Em paz e amor com todos os meus,
Trabalho não falta, todo santo dia,
Mas o coração, chega à noite e é uma alegria

Caracóis

Popular

Ai janelas avarandadas
Anda aqui algum doutor
Ai, eu venho-me aconselhar
Ai, ando mal com o meu amor

São caracóis
São caracolitos
São os espanhóis
São os espanholitos

São os espanholitos
São os espanhóis
São caracolitos
São os caracóis

Ai um dia fui a Espanha
Comi lá com os espanhóis
Toucinho assado no espeto
No molho dos caracóis

Carmencita

Autores:
Frederico de Brito / Pedro Rodrigues

Chamava-se Carmencita
A cigana mais bonita
Do que um sonho, uma visão
Diziam que era a cigana
Mais linda da caravana
Mas não tinha coração

Os afagos e carinhos
Perde-os p'los caminhos
Sem nunca os ter conhecido
E andou buscando aventura
Como quem anda à procura
De um grão de areia perdido

Numa noite de luar
Ouviram o galopar
De dois cavalos fugindo
Carmencita a linda graça
Renegando a sua raça
Foi atrás dum sonho lindo

Só esta canção magoada
Se envolve no pó da estrada
Quando passa a caravana
Carmencita, Carmencita
Se não tão bonita
Serias sempre cigana

Carta a um irmão brasileiro

Autores:
Ulisses Duarte / Fernando Rebocho Lima

Ai meu irmão brasileiro
Tivesse eu dinheiro
Tivesse eu dinheiro

Tivesse eu dinheiro
Iria à Bahia
Iria a Belém
Belém do Pará
Iria em visita a São Salvador
Iria a Brasília
Assim não vou lá

Tivesse eu dinheiro
Iria ao Sertão
Beber poesia, até naufragar
Depois ficaria ouvindo o Catulo
Chorando poemas ao som do luar

Ai meu irmão brasileiro
Tivesse eu dinheiro
Tivesse eu dinheiro

Tivesse eu dinheiro
Iria ao Rossio
Rio de Janeiro
Tivesse eu juizo
Assim como posso
Irmão brasileiro
Se o livro de versos
Só dá prejuizo
Santos, Salvador
Natal, Paraná
Brasília e São Paulo
Belém do Pará
Rio de Janeiro
Recife, Bahia
Manaus, Mato Grosso
Sertão, poesia

Céu da minha rua

Autores: João Nobre / Silva Tavares

No céu da minha rua
Da Alfama não chama
Nem prende as atenções
Às vezes nem a Lua
Lá mora, embora
Lá cheguem seus clarões
Mutilados há telhados
Que se abraçam fraternais
E o céu da minha rua
Recua, amua
Limita-se aos beirais
*

Com Alfama o céu não rima
Porque sempre o céu é pouco
Quando olhamos lá pra cima
Mas o céu não nega o troco
Cá embaixo a quem se estima
Vai daí ser voz corrente
Que em Alfama toda a gente
Traz o céu no coração
É feliz por natureza
Ninguém pede mais riqueza
Que saúde, amor e pão!

Cheira a Lisboa

Autores: César Oliveira / Carlos Dias

Lisboa já tem Sol mas cheira a Lua
Quando nasce a madrugada sorrateira
E o primeiro eléctrico da rua
Faz coro com as chinelas da Ribeira

Se chove cheira a terra prometida
Procissões têm o cheiro a rosmaninho
Nas tascas da viela mais escondida
Cheira a iscas com elas e a vinho

(Refrão)

Um craveiro numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa
A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiro de flores e de mar


Lisboa cheira aos cafés do Rossio
E o fado cheira sempre a solidão
Cheira a castanha assada se está frio
Cheira a fruta madura quando é Verão

Nos lábios tem o cheiro de um sorriso
Manjerico tem o cheiro de cantigas
E os rapazes perdem o juízo
Quando lhes dá o cheiro a raparigas

sexta-feira, 2 de março de 2012

Coroa do rei

Autores: David Nasser / Haroldo Lobo

A coroa do rei
Não é de ouro nem de prata
Eu também já usei
E sei que ela é de lata

Não é ouro, nem nunca foi
A coroa que o rei usou
É de lata barata
Olhe lá coroucochou

Na cabeça do rei andou
E na minha andou também
É por isso que eu digo
Que não vale um vintém

Cuidado coração

Autores:
Leonel Neves / Domingos Camarinha

Cuidado coração,
Com esse olhar
Cuidado coração,
Com quem apenas
Gostou de te agarrar,
Quando ias a cantar
Um fado
De horas lindas e serenas

Cuidado coração,
Com quem ainda não
Te viu sofrer,
Nem sabe as tuas penas

Refrão

O mal dos pobres,
Mesmo em horas de fartura
É sentirem amargura
Do pão tanta vez negado
Vê se descobres,
Coração se ele consente
Misturada no presente
A tristeza do passado

Cuidado coração,
Com esse olhar
Cuidado coração,
Com o chamado
De quem te vê passar
E gosta de escutar
O mais alegre e lindo
Dos teus fados

Cuidado coração,
Com quem ainda não
Te viu chorar,
Nem sabe os teus pecados

Cuidei que tinha morrido

Autores: Pedro Homem de Mello / Alain Oulman

Ao passar pelo ribeiro,
Onde às vezes me debruço
Fitou-me alguém corpo inteiro,
Dobrado como um soluço

Pupilas negras, tão lassas,
Raízes iguais às minhas
Meu amor, quando me enlaças,
Porventura as adivinhas

Meu amor, quando me enlaças

Que palidez nesse rosto
Sob o lençol do luar
Tal e qual quem ao sol posto,
Estivera a agonizar

Deram-me então por conselho
Tirar de mim o sentido
Mas depois vendo-me ao espelho
Cuidei que tinha morrido

Cuidei que tinha morrido

quinta-feira, 1 de março de 2012

Desde Santurce a Bilbao

Autor - Manuel López-Quiroga

Desde Santurce a Bilbao
vengo por toda la orilla,
con la falda remangada
luciendo la pantorrilla,
vengo deprisa y corriendo
porqué me oprime el corsé,
voy gritando por las calles:


¡Quien compra!
sardinas frescué.
Mis sardinitas
que ricas son
son de Santurce
las traigo yo.


La del primero me llama
la del segundo también,
la del tercero me dice:
¿a cuanto las vende usted?
Si yo le digo que a cuatro,
ella me dice que a tres,
cojo la cesta y me marcho,


¡Quien compra!
sardinas frescué.
Mis sardinitas
que ricas son
son de Santurce
las traigo yo.

Dicitencello vuie

Autores: Rodolfo Falvo / Enzo Fusco

Dicitencello a 'sta cumpagna vosta
Ch'aggio perduto 'o suonno e 'a fantasia
Ca 'a penzo sempre,
Che é tutta 'a vita mia...
I' nce 'o vvulesse dicere,
Ma nun nce 'o ssaccio di!

A' voglio bbene,
A' voglio bbene assaie,
Dicitencello, vuie
Ca nun m' 'a scordo maie!
E''na passiona
Cchiù forte 'e 'na catena,
Ca me turmente ll'anema
E nun me fa campá

Ritornello

Dicitencello ch' è na rosa 'e maggio,
Ch'è assaie cchiù bella 'e 'na jurnata 'e sole
D''a vocca soia, cchiù fresca d''e vviole
I' già vulesse sentere
Ch' è nnammurata 'e me!
'Na lacrema lucente v' è caduta...
Diciteme 'nu poco a che penzate?
Cu' st'uocchie doce
Vuie sola me guardate...
Levámmece 'sta maschera,

Dicimmo 'a veritá:

Te voglio bbene, te voglio bbene assaie
Si' ttu chesta catena
Ca nun se spezza maie!
Suonno gentile,
Suspiro mio carnale
Te cerco comm'all'aria
Te voglio pe'campá!