Grazie Flavio Galvan al testo in italiano * Remercier Susana Metello le texte français



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Duas luzes

Autores: João da Mata / José Marques do Amaral

Há duas luzes na vida
Que são todo o meu anelo
Uma és tu, mãezinha querida
E a outra não te revelo

São dois sóis duas estrelas
Dentro de mim a brilhar,
As maravilhas mais belas
Que Deus me podia dar

Com que alegria e prazer
As guardo no coração
A primeira por dever
E a outra por devoção

Eu gostaria, mãezinha,
De cantar p'ra ti somente
Mas tu és tão pobrezinha
Que canto pra toda a gente

Dura memória

Luis de Camões / Alain Oulman

Memória do meu bem, cortado em flores,
Por ordem de meus tristes e maus fados
Deixai-me descansar com meus cuidados
Nesta inquietação dos meus amores

Basta-me o mal presente, e os temores
Dos sucessos que espero infortunados
Sem que venham, de novo, bens passados
Afrontar meu repouso com suas dores

Perdi numa hora tudo quanto em termos
Tão vagarosos e largos, alcancei;
Deixai-me, pois lembranças desta glória
Cumpre-se e acaba a vida nestes ermos
Porque neles com meu mal acabarei
Mil vidas não, uma só - dura memória!...

É da torre mais alta

Autores: Ary dos Santos / Alain Oulman

É da torre mais alta
Que eu canto este meu pranto
Que eu canto este meu sangue,
Este meu povo
Dessa torre maior
Em que apenas sou grande
Por me cantar de novo,
Por me cantar de novo.

Cantar como quem despe
A ganga da tristeza
Como quem bebe
A água da saudade,
Chama que nasce e cresce
E vive e morre acesa
Chama que nasce e cresce
Em plena liberdade.

Mas nunca se dói só
Quem a cantar magoa
Dói-me o Tejo vencido
Dói-me a secura
Dói-me o tempo perdido
Dói-me o mal da lonjura
Dói-me o povo esquecido
E morro de ternura
Dói-me o tempo perdido
E morro de ternura.

É de Lisboa

Autores: António José / Lídia Lourdes da Costa

Cidade assim tão bonita
Não há no Mundo, eu aposto
A ninguém com isto iludo
Pois tem lá tudo
Do que eu mais gosto

Na viela mais antiga
Ou numa rua qualquer
Os versos de uma cantiga são
Quantas vezes o pão
Que a gente quer

Refrão

É de Lisboa
A Sé já tão velhinha
Onde o povo alfacinha
Reza por ela
É de Lisboa
A tela de mil cores
Pintada com as flores
Que tem cada janela
É de Lisboa
O pregão da varina
Que ao virar de uma esquina
Alegre soa
E a verdade
Que salta tanto à vista
A saudade fadista
Também é de Lisboa

Num arraial popular
Ao som do vulgar harmónio
Quem não gosta de bailar
Sempre que chega
O Santo António

A saltar uma fogueira
Na noite de São João
Fui sózinha, mas voltámos dois
Porque queimei depois
Meu coração

É ou não é?

Autor: Alberto Janes

É ou não é
Que o trabalho dignifica
É assim que nos explica
O rifão que nunca falha?
É ou não é
Que disto, toda a verdade,
É que só por dignidade
No mundo, ninguém trabalha!

É ou não é
Que o povo nos diz que não,
Que o nariz não é feição
Seja grande ou delicado?
No meio da cara
Tem por força que se ver,
Mesmo até eu não meter
Aonde não é chamado!

Digam lá se assim ou não é?
Ai, não, não é!
Digam lá se assim ou não é?
Ai, não, não é! Pois é!

É ou não é
Que um velho que à rua saia
Pensa, ao ver a mini saia:
Este mundo está perdido?!
Mas se voltasse
Agora a ser rapazote
Acharia que saiote
É muitíssimo comprido?

É ou não é
Bondosa a humanidade
Todos sabem que a bondade
É que faz ganhar o céu?
Mas a verdade,
Nua sem salamaleque,
Que tive de aprender
É que ai de mim se não for eu!

É pecado

Autores: Guilherme Pereira da Rosa / Frederico Valério

O meu viver sem viver
Vem de ti
Talvez do Fado, é igual
Por culpa desta paixão
Eu tenho o coração
Assim amargurado

Tentei sorrir
Não te ver e sofri
Só quis o bem, tive o mal
Amar demais é sofrer
Amar demais foi errado
Foi meu pecado

É pecado, é loucura
Ter no coração
Esta má paixão
Que só trás desgraça

No meu fado, sem ventura
Anda a solidão
Passa o tempo em vão
E só tu não passas

E pede-me agora o que não devia

Poesia Medieval de João Garcia de Guilhade
Música de José Fontes Rocha

Reparastes Donas, que no outro dia
O meu namorado, comigo falou
Como se queixava... Tanto se queixou,
Que lhe dei o cinto. Dei-lhe o que podia...
E pede-me agora, o que não devia...

Vistes, antes nunca tal coisa se visse!
Que à força de muito, muito se queixar...
Fez-me da camisa o cordão tirar...
O cordão lhe dei, no que fiz tolice
E o que pede agora, antes não pedisse

Das minhas ofertas, João de Guilhade
Enquanto as quiser, não o privarei
Que muitas e boas, já dele alcancei
Nem lhe negarei minha lealdade
Mas de outras loucuras, tem ele vontade!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

El Porompompero

Autores: Juan Solano - Jose Antonio Ochaita - Xandro Valerio

El trigo entre todas las flores
ha elegido a la amapola,
y yo elijo a mi Dolores,
Dolores, Lolita, Lola.

Y yo, y yo escojo a mi Dolores
que es la , que es la flor más perfumada,
Doló, Dolores, Lolita, Lola

Porompom pón, poropo, porompom pero, peró,
poropo, porom pompero, peró,
poropo, porompom pon. (bis)

A los chicos de mi cara
les voy a poner un candao
por no ver las cosas raras
de este niñato chalao, por no,
por no ver las cosas raras de esé,
de ese niñato chalao que te,
que te apunta y no dispara.

El cateto de tu hermano
que no me venga con leyes,
es payo y yo soy gitano
que llevo sangre de reyes, que es pa,
que es payo y yo soy gitano, que lle,
que llevo sangre de reyes en la,
en la palma de la mano.

Verde era la hoja,
verde era la parra,
debajo del puente,
retumba,retumba, retumba....

El toro y la luna (La luna y el toro)

Autor:Carlos Castellano Gómez

La luna se está peinando
En los espejos del río
Y un toro la está mirando
Entre la jara escondido
Cuando llega la alegre mañana
Y la luna se escapa del río
El torito se mete en el agua
Embistiendo al ver que se ha ido

Ese toro enamorado de la luna
Que abandona por la noche la maná
Es pintado de amapola y aceituna
Y le puso campanero el mayoral
Los remeros de los montes
Le besan la frente,
Las estrellas de los cielos
Le bañan de plata
Y el torito que es bravío
De casta valiente
Abanicos de colores
Parecen sus patas

La luna viene esta noche
Con una bata de cola
Y el toro la está esperando
Entre la jara y las sombras
En la cara del agua del río
Donde duerme la luna lunera
El torito celoso perdío
La vigila como un centinela

Ermida de S. Simeão

Poesia Medieval - Música: Alain Oulman

Sentada na Ermida de São Simeão
Cercaram-me as ondas, que grandes são
Eu atendendo o meu amigo
Eu atendendo o meu amigo

Estando na Ermida, frente ao altar,
Cercaram-me as ondas, grandes do mar
Eu atendendo o meu amigo
Eu atendendo o meu amigo

Não tenho barqueiro nem remador
Morrerei formosa no mar maior
Eu atendendo o meu amigo
Eu atendendo o meu amigo

Erros meus

Autores: Luís de Camões / Alain Oulman

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram
Os erros e a fortuna sobejaram
Que para mim bastava amor somente

Tudo passei, mas tenho tão presente
A grande dor das coisas que passaram
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente

Errei todo o discurso de meus anos
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças

De amor não vi senão breves enganos
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças

Erva cidreira do monte

Popular

Erva cidreira do monte
Erva cidreira do monte
És regalo do pastor
És regalo do pastor

Toma lá este raminho
Toma lá que cheira bem
Toma lá este raminho
Toma lá que cheira bem

Toma lá, dá cá
Toma lá este raminho
Toma lá, não sejas má

Bota-lhe o gado a erva
Bota-lhe o gado a erva
Vai falar ao teu amor
Vai falar ao teu amor

Estranha forma de vida

Autores: Amália Rodrigues / Alfredo Duarte

Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade
Que todos os ais são meus
Que é toda minha a saudade
Foi por vontade de Deus

Que estranha forma de vida
Tem este meu coração
Vive de vida perdida
Quem lhe daria o condão
Que estranha forma de vida

Coração independente
Coração que não comando
Vives perdido entre a gente
Teimosamente sangrando
Coração independente

Eu não te acompanho mais
Pára deixa de bater
Se não sabes onde vais
Porque teimas em correr
Eu não te acompanho mais

Eu fui ao mar às laranjas

Popular

Eu fui ao mar às laranjas
Coisa que lá não havia
Vim de lá toda molhada
Co'as ondas que o mar fazia

Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe, minha amada
Quem tem uma mãe tem tudo
Quem não tem mãe não tem nada

Eu fui ao mar às laranjas...

Ó estrela que vais tão alta
Por essas serras d'além
Leva-me aos céus onde tenho
A alma de minha mãe

Eu fui ao mar às laranjas...

Eu queria cantar-te um Fado

Autores: António de Sousa Freitas / Franklin Godinho

Eu queria cantar-te um fado
Que toda a gente ao ouvi-lo
Visse que o fado era teu
Fado estranho e magoado
Mas que pudesse senti-lo
Tão na alma como eu

E seria tão diferente
Que ao ouvi-lo toda gente
Dissesse quem o cantava
Quem o escreveu não importa
Que eu andei de porta em porta
Para ver se te encontrava

Eu hei-de pôr nalguns versos
O fado que há nos teus olhos,
O fado da tua voz
Nossos fados são diversos
Tu tens um fado, eu tenho outro
Triste fado temos nós

Fadinho da Ti' Maria Benta

Popular

Não olhes p'ra mim não olhes
Que eu não sou o teu amor
Que não sou como a figueira
Que dá fruto sem flor

Ó comadre Maria Benta
Seu garoto está melhor
O mal não é tão forte
Que o faça estar pior

Ó olhos azuis claros
Contrários ao meu viver
Que gosto tens tu amor
Em me ver a padecer

Ó comadre Maria Benta...

Tenho dentro do meu peito
Chegadinho ao coração
Duas palavras que dizem
Amar sim deixar-te não

Ó comadre Maria Benta...

As ondas do teu cabelo
São loiras e perfumadas
São redes a que se prendem
As almas apaixonadas

Ó comadre Maria Benta...

Fadinho serrano

Autores:

Arlindo de Carvalho / Hernâni Correia

Muito boa noite, senhoras, senhores
Lá na minha terra há bons cantadores
Há bons cantadores, boas cantadeiras
Choram as casadas, cantam as solteiras
Cantam as solteiras cantigas de amores
Muito boa noite, senhoras, senhores

Fadinho serrano és tão ao meu gosto
Fadinho catita, sempre bem disposto
Sempre bem disposto, seja tarde ou cedo,
Fazer bons amigos é o teu segredo
É o teu segredo sorrir ao desgosto
Fadinho serrano sempre bem disposto

Fiar-se em mulheres é crer no diabo
São todas iguais, ao fim, ao cabo
Ao fim ao cabo, moça que namora
Se vai em cantigas é certo que chora
É certo que chora, com esta me acabo
Fiar-se nos homens é crer no diabo.

Fadista louco

Autor: Alberto Janes

Eu canto,
Com os olhos bem fechados
Que o maestro dos meus fados
É quem lhes dá o condão
E assim
Não olho p'ra outros lados
Que canto de olhos fechados
P'ra olhar p'ra o coração

Meu coração,
É fadista de outras eras
Que sonha viver quimeras
Em loucura desabrida
Meu coração,
Se canto quase me mata
Pois por cada vez que bata
Rouba um pouco a minha vida

Ele e eu,
Cá vamos sofrer os dois
Talvez um dia depois
Dele parar pouco a pouco
Talvez alguém
Se lembre ainda de nós
E sinta na minha voz
O que sentiu este louco

Fado corrido

Popular

A barra da minha saia
Foi você que ma queimou
Com a ponta do cigarro
Quando comigo dançou

Mal de amor raro se perde
É como a nódoa da mora
Só com outra amora verde
A nódoa se vai embora

Ó minha moça trigueira
Quem te fez tão trigueirinha
Foi o calor da braseira
Que me aquecia à noitinha

Chamaste-me preta, preta
Que eu sou preta bem o sei
Também a azeitona é preta
E vai à mesa do rei

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Fado da saudade

Autores:
José Galhardo e Frederico de Freitas

Eu canto o fado pra mim
Abre-me as portas que dão
Do coração cá pra fora
E a minha dor sem ter fim
Que está naquela prisão
Sai da prisão, vai-se embora

Ó minha dor
Sem o amargo do teu pranto
Não cantava como canto
No meu canto amargurado
Ó meu amor
Que és agora que eu sofro e choro
Afinal, agora que adoro
É por ti que eu canto fado!

Eu canto o fado pra mim
Já o cantei pra nós dois
Mas isso foi no passado
Já que assim é, seja assim
Já me esqueceste depois
Já cada qual tem seu fado

O mais feliz é o teu, tenho a certeza
É o fado da pobreza
Que nos leva à felicidade
Se Deus o quis
Não te invejo essa conquista
Porque o meu é mais fadista
É o fado da saudade

Fado do Silêncio - (Silêncio) do Filme "Sol e Toiros"

Silêncio,
Choro contigo
Porque é esse o teu castigo
A pena que te redime
É cedo,
É cedo p'ra me falares
E outro desgosto me dares
Com a confissão do teu crime

Silêncio,
Não digas nada
Que eu também sofro calada
Sem uma frase sequer
É cedo,
P'ra teres desculpa
Chora, que choras a culpa
Por culpa d'outra mulher

Agora, não adianta chorar
Nem vale a pena parar
Porque a vida continua
Embora, depois do que aconteceu
Tu continues a ser meu
E eu continue a ser tua

Silêncio,
Deixa-te estar
Quieto no teu lugar
Que eu não te ponho na rua
Descansa,
Deixa-te estar à vontade
Não me peças piedade
Que a casa também é tua

Silêncio,
Deixa saber
Meu coração que emudece
Ao ouvir a tua voz
Descansa,
Que eu farei por esquecer
Como se nada tivesse
Acontecido entre nós

Fado Eugénia da Câmara

Autores:
Pereira Coelho e Raul Ferrão

Amar é ter alegria
Nem o mundo existiria
Não existindo esse bem
Quem não amar, não tem nada
Como é bom ser adorada
Como é bom gostar de alguém

Mas se o amor feito mágoa
Se desfaz em gotas d'água
Pouco a pouco fica o mar
E depois o mar desfeito
Batendo de encontro ao peito
Põe a alma a soluçar

A vida é toda desejos
Marcam-se os dias com beijos
Quem não amou não viveu
Só quem perde um grande amor
É que sabe dar valor
A todo bem que perdeu

Mas se houver uma traição
Mata o próprio coração
O amor que viu nascer
Nessa dor que nos tortura
Antes morrer de amargura
Que amargurada viver

Fado Final

Letra : Feijó Teixeira
Música: Sapateirinho da Bica

Com o som das folhas caídas
Levadas pelo vendaval
Surgirá um novo outono
Meu vago e manso final

Vou dar à terra primeiro
As brancas mãos cor de cera
E ao vento caminheiro
Dar os meus cabelos d'hera
E os meus segredos d'amor
Vou dá-los à primavera

Tristes são meus olhos tristes
Vou levá-los ao mercado
Das fantasias desfeitas
Onde m'os tinham criado

Deixo ao mar os meus tormentos
P'ra que os apague nas ondas
Deixo ao vento os sofrimentos
Dum caminho de mil rondas

Com o som das folhas caídas
Arrastadas pelo vento
Será criado outro fado
Livre das grades do tempo

Fado Gingão

Autores:
Lamberto Brás / Moniz Trindade

O Fado todo se ginga
Nas ruas da Mouraria
Anda na prova da pinga
Quer de noite, quer de dia

Mora ali no Benformoso
Porque há lá boas gargantas
E vai p'ra casa vaidoso
De manhã, só lá p'ras tantas

Refrão

Fado gingão
Ginga com tino
Que tens por destino
Ser um rufião
Andas nas ruas fazendo graças
Por onde passas fazes das tuas
A tradição fez-te burguês
Fado gingão bem português

Adoras ir à tourada
E quando o toiro é de casta
Vais meter a colherada
Porque o ver p'ra ti não basta

E numa ceia qualquer
Com o teu ar atrevido
Talvez cumprindo um dever
Estás lá sempre caido

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Fado Lisboeta

Autores:
Amadeu do Vale e Carlos Dias

Não queiram mal a quem canta
Quando uma garganta
Em ais se desgarra
E a mágoa já não é tanta
Se a confessar à guitarra

Quem canta sempre se ausenta
Da hora cinzenta da sua amargura
Não sente a cruz tão pesada
Na longa estrada da desventura

Refrão

Eu só entendo o fado
Plangente amargurado,
À noite a soluçar baixinho
Que chega ao coração
Num tom magoado
Tão frio como as neves do caminho
Que chora uma saudade
Ou canta ansiedade
De quem tem por amor chorado
Dirão que isto é fatal, é natural
Mas é lisboeta
Isto é que é o fado

Oiço guitarras vibrando
E vozes cantando
Na rua sombria
As luzes vão se apagando
A anunciar que é já dia

Fecho em silêncio a janela,
Já se ouvem na viela
Rumores de ternura
Surge a manhã fresca e calma
Só em minh'alma é noite escura

Refrão

Eu so entendo o fado
Plangente amargurado...

Fado Madragoa

Autores:

João Bastos e Frederico Valério

Uma saudade do mar, tem
Seu monumento em Lisboa
Velho bairro popular
Sombrio e vulgar
Que é a Madragoa
E reza a história que foi, lá
Numa noite de Natal
Que veio a luz o primeiro
Herói marinheiro
Que honrou Portugal

Ó triste Madragoa
Tens a esperança e nada mais
Há tanta coisa boa
Noutros bairros, teus rivais
Ó pobre Madragoa,
Não tens um só painel
Um arco ou um brazão
Só tens ó Madragoa
Nos lábios doce mel
No peito o coração

A noite cai, e o luar vem
Dar-lhe a triste cor da opala
E as estrelas a brilhar
Parecem baixar
Do céu para beijá-la
A Madragoa a dormir tem
Como prémio ao seu labor
Lindos sonhos de princesa
De eterna beleza
De sonhos de amor

Fado Malhoa

Autores:
José Galhardo e Frederico Valério

Alguém,
Que Deus já lá tem
Pintor consagrado
Que foi bem grande
E nos dói
Já ser do passado
Pintou numa tela
Com arte e com vida
A trova mais bela
Da terra mais querida

Subiu,
A um quarto que viu
À luz do petróleo
E fez o mais Português
Dos quadros a óleo
O Zé de Samarra
Com a amante a seu lado
Com os dedos agarra
Percorre a guitarra
E ali vê-se o fado

Faz rir
A ideia de ouvir
Com os olhos, senhores
Fará, mas não p'ra quem já
Ouviu, mas em cores
Há vozes d'Alfama
Naquela pintura
E a banza derrama
Canções de amargura

Dali vos digo que ouvi
A voz que se esmera
Boçal do Faia banal
Cantando a Severa
Aquilo é bairrista
Aquilo é Lisboa
Boémia e fadista
Aquilo é de artista
Aquilo é Malhoa

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fado Mayer

Autores:
Linhares Barbosa e Armandinho

Foi mau, não minto
Falso, ruím, vil ecruel
Mas não consinto
Que ao pé de mim,
Digas mal dele
Tu és banal,
Não se perdoa, não é decente
Dizer-se mal
Duma pessoa que está ausente

Refrão

Não, não tolero
E não quero
Trazer de novo á cena
Dôr que ainda me dói,
Não foi nada contigo
Não, não tolero
A não ser que tenhas pena
De não ser como ele foi,
Para meu maior castigo

Tudo ruíu
Como um castelo
Feito na areia
Deves ter brio
E não trazê-lo à minha ideia
Agora é tarde para censuras,
Sabe-lo bem
Que Deus o guarde
De desventuras
E a nós também

Fado meu

Autores:
Carlos Neves e António Mestre

Cantar é o meu fado verdadeiro
Com mágoas ou amor no coração
Sou como o mar selvagem ou fagueiro
Mas sempre entoar uma canção

Do vento que conduz a gente aos portos
Das sereias a chamar
E dos marinheiros mortos
Ai, quantos desejos mortos
Canto eu e canta o mar


É fado meu, já não sou eu
Se canto o fado de outra vida
É meu aquele pranto
É minha a dor que canto

É fado meu, já não sou eu
E a minha voz no fado erguida
Dá-me a alma e modos
De irmã de todos
Que a dor perdeu

Fado Xuxu ( Fado Carioca)

Autores:
Amadeu do Vale
e
Frederico Valério

O fado, canção bizarra
Pôs a samarra
Todo trecheiro
E lá foi com a guitarra
Até ao Rio de Janeiro

Fez-se um fadista atrevido
Tão destemido
E de tal marca
Que até já é conhecido
P'lo fadistão da Fuzarca

Com sambinhas
E modinhas
Abacate
Vitamate
Guaraná
Maracujá
E caruru

Com cocada
Batucada
Para ti
Abacaxi
E goiabada
O fado é bom p'ra xuxu

Portuguesinho de raça
Bebe cachaça
Come pipoca
E no catete até passa
Por cidadão carioca

Às vezes vai à favela
Calça chinela
Todo se bamba...
E o fado canção singela
Agora é todo do samba

Faia (Fado Faia)

Letra: Linhares Barbosa
Música: Martinho d'Assunção

Vieram dizer-me há pouco
Que andavas louco
Por certa dama
Muito nobre, muito bela
Ias com ela
Ali p'ra Alfama

Não adivinho quem seja
Nem tenho inveja
Mas dá nas vistas
Que uma senhora tão chique
Cante ao despique
Com as fadistas

Refrão

Esses becos e travessas
Não são p'ra essas
Senhoras finas
Alfama é das cantadeiras
Das costureiras
E das varinas
Se é só para te agradar
Que anda a cantar
Diz-lhe que não
Que não cometa o pecado
De usar o Fado
Como brasão

A guitarra nos teus dedos
Tem mil bruxedos
E faz feitiço
A ela todas se prendem
Todas se rendem
Sem dar por isso

Se foi a tua guitarra
Bruxa e bizarra
Que ao Fado a trouxe
Que seja muito feliz
Já que Deus quiz
Que eu o não fosse

Falsa baiana

Autor: Geraldo Teodoro Pereira

Baiana que entra na roda, só fica parada
Não mexe, não samba, não bole nem nada
Não sabe deixar a mocidade louca
Baiana é aquela
Que entra no samba de qualquer maneira
Que mexe, remexe, dá nó na cadeira
E deixa a moçada com água na boca

A falsa baiana quando cai no samba
Ninguém se incomoda, ninguém bate palma
Ninguém abre a roda, ninguém grita ôba
Salve a Bahia, Senhor

Mas a gente gosta quando uma baiana
Queba direitinho, de cima embaixo
Revira os olhinhos dizendo
Eu sou filha de São Salvador

Fandangueiro

Letra: Pedro Homem de Mello
Música: Alain Oulman


Sua canção fora a Gota.
Sua dança fora o Vira.
Chamavam-lhe "o fandangueiro".
Mas seu nome verdadeiro
Quando bailava, bailava...

Não era nome de cravo
Nem era nome de rosa;
Era o de flor, misteriosa,
Que se esfolhava, esfolhava…

E havia um cristal na vista
E havia um cristal no ar
Quando aquele fandanguista
Se demorava a bailar!
E havia um cristal no vento
E havia um cristal no mar.
E havia no pensamento
Uma flor por esfolhar...
Fandangueiro! Fandangueiro?

(Nem sei que nome lhe dar...)

Tinha seus braços erguidos
Não sei que ignotos sentidos...
- Jeitos de asa pelo ar...
Quando bailava, bailava,
Não era folha de cravo
Nem era folha de rosa.
Era uma flor, misteriosa,
Que se esfolhava, esfolhava...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Faz hoje um ano

Letra: José Galhardo
Música: Raúl Ferrão
***
Não olhes mais p'ra mim
Não foi p'ra amar que eu vim
Se em tal pensaste
Ao ver-me agora
É uma ilusão

P´ra isso eu já morri
Apenas venho aqui
Lembrar-te a hora
Em que mataste
Um coração

Faz hoje um ano
Dia por dia
Tenho-os contado
Que nos beijamos
Às escondidas
Naquela rua

Traçaste um plano
Todo alegria
Não estás lembrado?
E então juntámos
As nossas vidas
E então fui tua

Faz hoje um ano
Estava eu em festa
Cheia de esperança
Quanto abandono
Quanta maldade
Quanto impudor

Já desse engano
Pouco mais resta
Que uma lembrança
Que um lar sem dono
Que uma saudade
E o meu amor

Depois de mim também
Na vida amaste alguém
Alguém amaste
E essa paixão
Não foi feliz

É que Deus chora ao ver
Trair uma mulher
E tu pagaste
Uma traição
Que Deus não quis

Faz hoje um ano
Estava contigo
Viste-a à janela
Eu não vi nada
Nem vi que ela
Era a teu gosto

Que desumano
Foste comigo
Pior foi ela
Eu estou vingada
Mas tenho pena
Do teu desgosto

Faz hoje um ano
Tu não sentias
Raiva e despeito
Faz o que eu peço
Guia os teus passos
Ouve-me enfim

Se o desengano
Queima os teus dias
Chora em teu peito
Volta aos meus braços
Volta que eu espero
Volta p'ra mim